sexta-feira, 31 de maio de 2013


 
Querer

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo

Pablo Neruda

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Roland Garros 2013


E o  meu Novak Djokovic segue para a próxima ronda!!!! Go, Djoko!!! :)
 
Inconfesso Desejo

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao
mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é
minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura
saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus
beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos
quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha
motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é
largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 29 de maio de 2013


De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
 
Vinicius de Moraes

terça-feira, 28 de maio de 2013

Saudades...........


 
Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!


Florbela Espanca



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
 
Vinicius de Moraes

Roland Garros 2013



O torneio de Roland Garros já começou ontem..... Agora vão ser muitas horas coladas ao sofá, olhando a Tv e torcendo pelo meu Djokovic!!!! E viva o ténis!!!! :)

Desilusão....


 

Sabe aqueles momentos em que sentimos uma dor fina, lá dentro do peito, dor essa que nem sabe-se como é, como vem, e tira a impressão de que tava tudo bem.
Dá vontade de gritar aos quatro ventos numa voz bem alta, como se fosse sair um monstro de dentro de nós, a sensação de alguma coisa sem precendentes.
Como se viesse um desejo de chorar e chorar, e nem saber a hora de parar, somente induzir para dentro de sí, o que pra fora nem veio se mostrar.
Como mudança de rumo, e rumando para o deserto quente e seco da minha sensação de estar perto do nada, mas longe de você, um amor renegado, pensamento elevado.
Sentimento com sonhos desmoronados e castelos de areia engolidos pelas ondas, sentimento de perda e dor, sabor do castigo, sentido sem amor.
Seria como se expremesse o peito e lançasse longe a alegria, sentido de vida vazia, sorriso sem graça, sabor de rejeição, coração na contra mão.
Não!... mesmo que se tenha idéia do que é sofrer, mas ferida que se abre sem ferir dói, mas sem o sangue a sair.
Sofrer assim não é justo, se foi um susto, nem custo da dor ou esperança do amor, dor essa que é fina no peito e desafina o embalo do coração e da emoção.
Pois, como perfume de amor e flor, e despedida sem odor, se faz sofrido o rosto, com a expressão que dispensa conoção.
Sim, com amor é fácil lidar, mas os sentimentos á parte que sem recentimentos, se faz uma parte dessa dor, que á outra se veio juntar, selando a desculpa da lágrima rolar.
Como saber que é hora de parar, sanar uma coisa dessas só com alguem que viveu tal sentimento, e sobreviveu pra contar, ou correu o risco e saiu da beira abismo.
Juro que se for para sentir essa dor, sem ter o que sentir, não fico mais em cima desse muro, me cede tua luz, e me tira desse escuro.
Os vestígios da esperança que molha o meu olhar, se faz forte, e não sei como vai-me a sorte sair assim, sem os riscos da morte á me rodear.
Sei que dor fina e vazia faz sofrer, mas sem entender o que a dor te traria é sofrer duas vezes, uma por sofrer e outra sem saber.
Seria um troca justa, a troca da discórdia pela vaga soma da tua misericórdia, se me decifrasse essa dor.
E chegando sempre pela metade e tomando o lugar da felicidade, essa dor me pega sem piedade, como é triste sofrer e ver padecer num sentido sem fim.
Não tem como dizer não, essa dor que seca o coração, faz viver um momento sem razão, leva consigo uma paz que seria a única emoção, essa dor se chama, Desilusão!
 
 
Paulo Master

Más Allá del Amor


 

Todo nos amenaza:
el tiempo, que en vivientes fragmentos divide
al que fui
del que seré,
como el machete a la culebra;
la conciencia, la transparencia traspasada,
la mirada ciega de mirarse mirar;
las palabras, guantes grises, polvo mental sobre la yerba,
el agua, la piel;
nuestros nombres, que entre tú y yo se levantan,
murallas de vacío que ninguna trompeta derrumba.

Ni el sueño y su pueblo de imágenes rotas,
ni el delirio y su espuma profética,
ni el amor con sus dientes y uñas nos bastan.
Más allá de nosotros,
en las fronteras del ser y el estar,
una vida más vida nos reclama.

Afuera la noche respira, se extiende,
llena de grandes hojas calientes,
de espejos que combaten:
frutos, garras, ojos, follajes,
espaldas que relucen,
cuerpos que se abren paso entre otros cuerpos.

Tiéndete aquí a la orilla de tanta espuma,
de tanta vida que se ignora y se entrega:
tú también perteneces a la noche.
Extiéndete, blancura que respira,
late, oh estrella repartida,
copa,
pan que inclinas la balanza del lado de la aurora,
pausa de sangre entre este tiempo y otro sin medida.
 
Octavio Paz 

domingo, 26 de maio de 2013

De ti....


De mais ninguém se não de ti, preciso:
Do teu sereno olhar, do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro.

Ouvir-te murmurar: - "Espera e confia!"
E sentir converter-se em harmonia,
O que era, dantes, confusão e assombro.
 
 Carlos Queirós

sábado, 25 de maio de 2013





Love ... must come suddenly, with great thunderclaps and bolts of lightning -- a hurricane from heaven that drops down on your life, overturns it, tears away your will like a leaf, and carries your whole heart off with it into the abyss.

Gustave Flaubert

sexta-feira, 24 de maio de 2013


 

NOCTURNO
Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...
Como um canto longínquo - triste e lento -
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!
 
 
Antero de Quental

quinta-feira, 23 de maio de 2013


Soneto XII

Plena mujer, manzana carnal, luna caliente,
espeso aroma de algas, lodo y luz machacados,
qué oscura claridad se abre entre tus columnas?
Qué antigua noche el hombre toca con sus sentidos?
Ay, amar es un viaje con agua y con estrellas,
con aire ahogado y bruscas tempestades de harina:
amar es un combate de relámpagos
y dos cuerpos por una sola miel derrotados.
Beso a beso recorro tu pequeño infinito,
tus márgenes, tus ríos, tus pueblos diminutos,
y el fuego genital transformado en delicia
corre por los delgados caminos de la sangre
hasta precipitarse como un clavel nocturno,
hasta ser y no ser sino un rayo en la sombra.
 
Pablo Neruda

terça-feira, 21 de maio de 2013


 
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional." 
 
 Carlos Drummond

Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
 
Vinícius de Moraes

Saberás???

 
 
Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e por isso te amo quando te amo.
 
Pablo Neruda

domingo, 19 de maio de 2013

CAMPEÕES!!!!! Ou melhor... TRICAMPEÕES!!!!


Silêncio..............




"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."


Fernando Pessoa

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Anticipation......


 
Anticipation is the oil that feeds
The flame of life. It is the Siren fair
That sings at twilight in the hollow reeds,
And drowns the moaning discord of despair.
Nay, now in darkest night it comes to me,—
It dulls the edge of every present care:
Blots from the tablets of the memory
What hath been ill, or is, inscribing there
In golden letters that which yet may be
Of earth's good things my individual share.
And should the days be drearier in age,
And disappointment part of mine estate,
With fortune I shall not a warfare wage,
But sing my song as now,—as now anticipate.
 
 
George Frederick Cameron


 
"Pedro, lembrando Inês"

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste
 
 
 
Nuno Júdice

quinta-feira, 16 de maio de 2013

La tristeza que aún no se ha visto


 
Como la bitácora de un viaje qué va a ninguna parte,
cada día algo escribo.
Seguramente se cosecha todo aquello que se siembra
Y como yo sembré alaridos,
hoy los aullidos se escuchan por todos lados.
Ya no soy mía.
Quiero hacerme transparente
un día cualquiera,
para que quede claro
que todas las ciudades me fueron indiferentes.
No así los árboles,
la espuma,
los caminos.
Yo soy la vendedora de colores,
soy la flor qué abre por una noche.
Soy la tristeza que aún no se ha visto.
Soy la lágrima incesante,
el agua que emana de las grutas que
no han sido bendecidas.
Soy el glaciar que se quiebra
para convertirse en lago eterno.
La que busca un lugar donde dormir y encajar los huesos
donde derrumbarse y dejar de latir,
un lugar no más grande que el nido de una paloma.
Soy el ala rota de quien espera orgullosa y serena la muerte.
Sangre de paloma que se cayó del nido.
Olor a líquido amniótico.
Debo recoger y rescatar con mis manos,
el liquido diseminado de mi propio nacimiento.
 
 
Marcela Muñoz

quarta-feira, 15 de maio de 2013


What is it men in women do require?
The lineaments of Gratified Desire.
What is it women do in men require?
The lineaments of Gratified Desire.

The look of love alarms
Because 'tis fill'd with fire;
But the look of soft deceit
Shall Win the lover's hire.

Soft Deceit & Idleness,
These are Beauty's sweetest dress.

He who binds to himself a joy
Dot the winged life destroy;
But he who kisses the joy as it flies
Lives in Eternity's sunrise.

William Blake

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Silêncio


 
Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.

Octávio Paz




domingo, 12 de maio de 2013

When We Two Parted






When we two parted
In silence and tears,
Half broken-hearted,
To sever for years,
Pale grew thy cheek and cold,
Colder thy kiss;
Truly that hour foretold
Sorrow to this.

The dew of the morning
Sank chill on my brow—
It felt like the warning
Of what I feel now.
Thy vows are all broken,
And light is thy fame:
I hear thy name spoken,
And share in its shame.

They name thee before me,
A knell to mine ear;
A shudder comes o'er me—
Why wert thou so dear?
They know not I knew thee,
Who knew thee too well:—
Long, long shall I rue thee
Too deeply to tell.

In secret we met—
In silence I grieve
That thy heart could forget,
Thy spirit deceive.
If I should meet thee
After long years,
How should I greet thee?—
With silence and tears.

Lord Byron 

sábado, 11 de maio de 2013

FC PORTO


So true......


Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor inesquecível - Diego Marchi

Sim......




Me encante com suas palavras...me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres. Me conte segredos, sem medos, e depois me diga o quanto te encantei... Pablo Neruda

sexta-feira, 10 de maio de 2013

All great love stories ended badly..... death, separation, betrayal.... well, that explains everything!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Tus ojos


 
Tus ojos son la patria del relámpago y de la lágrima,
silencio que habla,
tempestades sin viento, mar sin olas,
pájaros presos, doradas fieras adormecidas,
topacios impíos como la verdad,
o toño en un claro del bosque en donde la luz canta en el hombro de un árbol y son pájaros todas las hojas,
playa que la mañana encuentra constelada de ojos,
cesta de frutos de fuego,
mentira que alimenta,
espejos de este mundo, puertas del más allá,
pulsación tranquila del mar a mediodía,
absoluto que parpadea,
páramo.
 
 
Octavio Paz


quarta-feira, 8 de maio de 2013




Decididamente as saudades não são como o clima. Quando está calor, não conseguimos imaginar como era quando tínhamos frio. Nem prever o que sentiremos novamente quando os termómetros baixarem. Da mesma maneira, teremos dificuldades em imaginar o que é ter calor quando trememos de frio na paragem do autocarro. Mas com as saudades é diferente....... conseguimos senti-las por antecipação, quando ainda temos a pessoa à nossa frente, estamos sentadas na cadeira do quarto que vamos deixar ou no banco do jardim que julgamos nunca mais voltar a ver. Sentimos o mesmo nó na garganta, a mesma sensação de que a vida não tem graça sem aquela pessoa e todos os outros sintomas que só os poetas a sério conseguem descrever sem serem pirosos ou lamechas. 
Há ainda as saudades "à posterior", se possível até mais esquisitas....... Às vezes só sentimos saudades da pessoa amada quando  lhe ouvimos a voz, o abraço outra vez, quando passo-lhe a mão pelo cabelo..... Ou as saudades que temos lá dentro, mas de que só nos apercebemos quando cheiramos determinado perfume ou cruzamos os olhos com alguém que nos lembra outro alguém...... É estranho, mas as saudades são estranhas. Decididamente não são como o frio e o calor.....

Hoje chove, muito e ininterruptamente..... dia cinzento, sombrio, escuro e feio.... Muito feio. Hoje identifico-me com esse tempo que se faz sentir lá fora e dentro de mim..... Preciso do sol, da luz, da luminosidade de um céu azul e sem nuvens, que me transporta para um estado de alegria, energia e vontade de viver e fazer coisas loucas e absurdas! Apesar de que, confesso, senti uma ligeira vontade de ir para a rua e sentir a chuva na cara e rodopiar até me sentir tonta e parar.... mas ditam as regras do trabalho que tal não é possivel..... Um outro dia quem sabe? Irei ouvir a chuva a bater na janela do meu quarto, enquanto leio um livro, ainda não sei bem qual, acompanhado de um whisky, talvez um Balvenie ou um Macallan.... Ou ver um filme, de preferência um de vampiros ou zombies..... Logo se vê....

terça-feira, 7 de maio de 2013



Os dias arrastam-se e nem dou pelos minutos que passam..... tudo igual,nada muda e quando vislumbro uma luz que possa eventualmente mudar essa lassidão eis que se mostra nada mais do que uma ilusão...... Sinto falta do teu sorriso, da tua mania de me provocares, de me chamares Pocahontas, do cheiro da tua pele e das tuas mãos em mim e todas as emoções que só tu sabes como despertar..... Vens..... Vais....... Voltas...... Desapareces.......Regressas..... Sais..... e eu, aqui, sempre, a constante da tua vida, que te espera mas que nada cobra.... Estou cansada, vulnerável, sentimental, perdida....tudo aquilo que desprezo!!! Mas que só tu consegues fazer-me sentir....... Ás vezes odeio-te, outras vezes odeio-me..... mas de todas as vezes sinto a tua falta....... Será que algum dia dia terei forças para te expulsar de vez da minha vida??? Espero que sim...... Ou então, espero que voltes para mim e que fiques.......

segunda-feira, 6 de maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

Saudade





Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


 Pablo Neruda

sábado, 4 de maio de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013







Aspero amor, violeta coronada de espinas,
matorral entre tantas pasa cólera,
por qué caminos y cómo te dirigiste a mi alma?
Por qué precipitaste tu fuego doloroso,
de pronto, entre las hojas frías de mi camino?
Quién te enseñó los pasos que hasta mí te llevaron?
Qué flor, qué piedra, qué humo mostraron mi morada?
Lo cierto es que tembló la noche pavorosa,
el alba llenó todas las copas con su vino
y el sol estableció su presencia celeste,
mientras que el cruel amor me cerca
iones erizado,
lanza de los dolores, corola de l
ba sin tregua
hasta que lacerándome con espadas y espinas
abrió en mi corazón un camino quemante.

Pablo Neruda